| Ivermectina era um dos medicamentos do chamado tratamento precoce contra a Covid-19 |
16 de maio de 2026 - 2 minutos para saber
Um estudo publicado na revista científica JAMA Network Open apontou um aumento significativo nas prescrições de ivermectina nos Estados Unidos após declarações do ator Mel Gibson sobre possíveis casos de recuperação de câncer associados ao uso do medicamento.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da University of California, Los Angeles e analisou dados de mais de 68 milhões de pacientes atendidos em serviços ambulatoriais e de emergência. Os pesquisadores compararam prescrições da combinação ivermectina-benzimidazol entre janeiro e julho de 2025 com o mesmo período do ano anterior.
Segundo os resultados, as prescrições desses medicamentos dobraram após a repercussão das declarações. Entre pacientes com câncer, o crescimento foi ainda maior, ultrapassando 2,5 vezes os índices anteriores.
Apesar disso, os autores destacaram que não existem evidências clínicas comprovando segurança ou eficácia da ivermectina ou de medicamentos benzimidazólicos no tratamento do câncer em humanos. Eles ressaltaram, porém, que algumas substâncias apresentaram atividade anticancerígena em estudos laboratoriais e em testes com animais.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprova a ivermectina apenas para o tratamento de infecções parasitárias. Já o fenbendazol é autorizado exclusivamente para uso veterinário.
A oncologista Clarissa Baldotto afirmou que resultados positivos em laboratório representam apenas etapas iniciais da pesquisa científica.
Segundo ela, muitas substâncias consideradas promissoras em testes laboratoriais acabam não apresentando os mesmos resultados em estudos clínicos com humanos.
O estudo também ressalta que, por ser observacional, não estabelece relação direta de causa e efeito. Além disso, os pesquisadores analisaram apenas prescrições médicas, sem confirmar se os medicamentos foram efetivamente utilizados pelos pacientes.
A discussão em torno da ivermectina também relembra o debate ocorrido durante a pandemia de COVID-19, quando o medicamento foi defendido por parte da sociedade e de profissionais da saúde como opção terapêutica no chamado “tratamento precoce”. Entre os defensores da prática estava o ex-presidente Jair Bolsonaro, que defendia a autonomia médica para prescrição de medicamentos em meio às incertezas do período pandêmico.