| Reprodução/Ilustração |
18/03/2026 | 3 min de leitura
A preocupação no Palácio do Planalto com a possibilidade de
uma greve de caminhoneiros ocorrer nesta semana no país e contaminar ainda mais
o ambiente político-eleitoral levou a força-tarefa do governo que cuida do
assunto a planejar o anúncio, na manhã desta quarta-feira (18), de medidas para
ampliar a fiscalização do cumprimento da tabela do piso mínimo do frete para
caminhoneiros e para responsabilizar os infratores contumazes.
O anúncio deverá ser feito às 10h pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, e
pelo diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Guilherme
Sampaio, no Ministério dos Transportes, em Brasília.
A tabela advém de uma lei de 2018 que estabelece parâmetros
mínimos para o pagamento de frete a caminhoneiros, baseados no número de eixos
do caminhão, no peso da carga e na distância percorrida.
A categoria, porém, aponta que a falta de fiscalização pelo governo faz com que
ela não seja cumprida, ainda mais em um contexto de aumento do preço de
combustíveis.
Essa, aliás, é outra frente para conter a greve que o
governo pretende avançar hoje.
O Ministério da Fazenda irá ampliar a pressão sobre os
estados para que eles reduzam o ICMS sobre combustíveis e para que os preços
sejam fiscalizados.
O debate ocorrerá na reunião extraordinária convocada para
esta quarta-feira pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz),
justamente para discutir a redução temporária do ICMS sobre o diesel.
O governo deve fazer, inclusive, uma proposta de redução e não descarta
apresentar um plano de compensação aos estados pelas perdas de recursos.
A maior parte dos estados resiste a reduzir o tributo,
principal fonte de arrecadação dos estados. Nesta terça-feira, o Comitê
Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados
e do Distrito Federal (Comsefaz) divulgou uma nota na qual informa que não
reduzirá o imposto.
Além do
componente econômico
, há o fator político, pois grande parte dos governadores
tentará a reeleição e é de oposição a Lula.
O governo, porém, quer mostrar que já deu o exemplo ao reduzir PIS e Cofins do
diesel e que também já colocou a Polícia Federal para apurar crimes contra
consumidores e contra a ordem financeira. O órgão abriu um inquérito nesse
sentido nesta terça-feira.
A força-tarefa do governo envolve principalmente Casa Civil,
Secretaria-Geral da Presidência e Ministério dos Transportes e é acompanhada
com preocupação pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social, marqueteiro
Sidônio Palmeira.
A grande preocupação é com uma crise de desabastecimento no
país e, em especial, seus impactos políticos em um ambiente já tensionado e
polarizado que dificulte o cenário, já difícil, da campanha à reeleição de
Lula.
“Se não tiver nenhuma sinalização do governo até o final da
semana, a greve acontece”, disse à CNN uma das lideranças do movimento, Wallace
Landim, presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos
Automotores, conhecido como Chorão.
Ele aponta que o movimento é parecido com o de 2018, que parou o país e levou a
desabastecimento em diversas regiões.
“Se não cruzar os braços em greve, a gente para automaticamente, porque não está viável economicamente trabalhar”, disse.
Com informações de CNN


.png)

