NOTA da FAMÍLIA de JOICE BATISTON DELFINO DE OLIVEIRA
" A família de Joice vem a público falar diretamente com a sociedade. Fazemos isso com o coração partido, mas também com responsabilidade: não queremos fazer acusações, não queremos julgar ninguém antes da hora. Queremos apenas contar, de forma simples e honesta, o que está acontecendo e por que ainda vivemos com tantas perguntas sem resposta.
O QUE SE SABE ATÉ AGORA
Joice morreu no dia 19 de junho de 2026. Desde o primeiro momento, a investigação foi aberta para apurar um homicídio. O rapaz que dirigia a moto e levava Joice naquela noite, motorista de aplicativo, é o investigado no caso.
Ele foi preso temporariamente durante as investigações. Recentemente, a defesa dele pediu para soltá-lo. O Ministério Público, depois de ouvir a polícia, entendeu que a prisão poderia ser revogada, desde que o investigado fique com outras restrições, como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de sair da cidade, entre outras. A própria polícia, porém, avaliou que ainda seria importante mantê-lo preso, porque faltam diligências importantes para entender o que realmente aconteceu.
Ou seja: mesmo quem investiga o caso reconhece que a apuração não terminou.
A VERSÃO CONTADA PELO INVESTIGADO
Em depoimento, ele contou que Joice caiu da moto sozinha, sem nenhuma explicação, enquanto ele dirigia. Disse que, ao perceber que ela estava desacordada e sem capacete, decidiu ir atrás do próprio pai para pedir ajuda, em vez de chamar socorro na hora. Foi até a casa do pai, não o encontrou, voltou ao local — e, segundo ele, Joice já não estava mais lá. Disse também que pegou o capacete dela do chão e depois o jogou fora, em um lugar que não sabe dizer qual foi. Alguns dias depois, ele mesmo destruiu o próprio celular, dizendo que foi por causa de uma briga de família, e não porque alguém o orientou a fazer isso.
O QUE A FAMÍLIA NÃO CONSEGUE ENTENDER
Precisamos dizer, com todo o respeito à investigação e à Justiça, que existem pontos que não fazem sentido para nós — e que, no nosso entendimento, ainda precisam ser esclarecidos tecnicamente. Não estamos afirmando que sabemos a verdade. Estamos dizendo que temos perguntas.
Uma câmera mostra que ele saiu da avenida perimetral, local onde Joice caiu, por volta das 22h10 e já estava em casa às 22h15 — ou seja, apenas cinco minutos depois. Isso não bate com a história de ter ido até a casa do pai e não ter encontrado ninguém, voltado ao local e só depois seguido para casa. Não daria tempo (a casa do pai que fica a uma distância de aproximadamente 9km - 15 minutos do local dos fatos).
Na mesma imagem, ele aparece chegando em casa com um capacete no braço. Se for esse capacete mesmo, ele não foi descartado como ele contou.
Ele também disse que chegou em casa por volta das 22h20. Mas o boletim de ocorrência mostra que o pedido de socorro para ajudar Joice só foi feito às 22h29. Isso levanta uma pergunta que precisamos fazer: se ele já estava em casa antes desse horário, quem encontrou Joice e pediu ajuda? E em que momento isso aconteceu, já que ele mesmo disse que, ao voltar ao local, não havia mais ninguém lá?
Ele negou, no depoimento oficial, ter recebido orientação de alguém para destruir o próprio celular. Mas depois, em entrevista, o próprio advogado dele afirmou publicamente que a destruição do aparelho foi orientada por um advogado anterior. São duas versões diferentes, e a família entende que isso precisa ser esclarecido. Também houve a apreensão de alguns aparelhos de celular durante o cumprimento do mandado de prisão do investigado, sendo que um deles colide com as características do celular de Joice — isso ainda depende de perícia para ser confirmado.
O QUE A FAMÍLIA JÁ PEDIU
Por meio de nossas advogadas, já apresentamos um pedido formal à polícia solicitando várias diligências: análise completa dos dados do celular de Joice e do investigado, os dados completos da corrida feita pelo aplicativo de transporte, perícia na motocicleta, perícia nas roupas de Joice, reconstrução técnica do trajeto percorrido naquela noite e imagens de câmeras de segurança da região. Ainda aguardamos retorno sobre esses pedidos.
É importante dizer: várias perícias importantes para entender o que aconteceu com Joice ainda não foram concluídas. Ou seja, ainda não há uma resposta final, nem por parte da polícia, nem por parte da Justiça.
Por que estamos falando isso agora
Não queremos condenar ninguém antes da hora. Sabemos que existe presunção de inocência e respeitamos isso. Mas somos uma família em sofrimento, tentando entender como e por que perdemos Joice, e temos o direito de fazer perguntas quando as coisas não fazem sentido para nós.
Pedimos à sociedade compreensão com a nossa dor e com a nossa revolta. Não estamos aqui para fazer julgamento nenhum. Estamos aqui para pedir Justiça e expor nossa indignação.
Joice merece que a verdade seja completamente esclarecida. É só isso que pedimos.
Varginha/MG, 11 de julho de 2026.
Família de Joice Batiston Delfino de Oliveira "