quinta-feira, 5 de março de 2026

'CAPANGA' DE DANIEL VORCARO TEM MORTE CONFIRMADA EM BH: SOB ALEGAÇÃO DE SUICÍDIO TENTADO, PF TENTOU SOCORRER O PRESO


Mourão, o 'Sicário' e o patrão, Daniel Vorcaro - Reprudução

05 de março de 2026 - 3 minuto para saber


O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou um desdobramento dramático após a morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado pela investigação como um dos operadores centrais do esquema investigado pela Polícia Federal.

Conhecido nas mensagens analisadas pela PF pelo apelido de “Sicário”, Mourão morreu poucas horas depois de ser preso durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. De acordo com a polícia, ele teria tentado se enforcar dentro da cela utilizando a própria camiseta. O investigado chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, mas não resistiu.

Segundo as investigações, Mourão teria papel estratégico em um grupo mencionado nas conversas interceptadas como “A Turma”, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal aponta que ele recebia cerca de R$ 1 milhão por mês para coordenar atividades que incluíam monitoramento de pessoas, coleta de informações pessoais e ações de pressão contra críticos da instituição financeira.

Em uma das mensagens citadas na decisão judicial, Mourão detalharia como o dinheiro era distribuído entre integrantes do grupo. “Ele manda o mensal e eu divido entre a turma”, teria escrito.

O apelido “Sicário”, utilizado nas conversas, tem origem no latim sicarius, derivado de sica, um pequeno punhal usado por assassinos na Roma antiga. Os chamados “sicarii” escondiam a arma sob as vestes e atacavam suas vítimas em meio à multidão, termo que passou a ser associado a assassinos contratados.

Entre os diálogos investigados, um dos trechos que mais chamou atenção dos agentes envolve o jornalista Lauro Jardim. Em uma mensagem, é mencionada a intenção de simular um assalto para intimidá-lo: “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto.”

Com a morte de Mourão, a investigação perde uma peça considerada importante para esclarecer detalhes do esquema. O caso, que já envolve suspeitas de movimentações bilionárias, monitoramento clandestino e possíveis tentativas de intimidação, agora deixa ainda mais perguntas em aberto para os investigadores.