Foto: Reprodução/X/ NDMAIS
26/02/2026 | 3 min de leitura
Uma supercélula, um tipo raro e extremamente severo de
tempestade, atingiu a cidade de Juiz de Fora (MG) na madrugada desta
terça-feira (24), deixando um rastro de destruição e 16 mortes confirmadas pelo
Corpo de Bombeiros até o início da tarde.
O fenômeno despejou sobre o município mais que o dobro da
chuva esperada para todo o mês, tornando este o fevereiro mais chuvoso da
história da cidade.
O que é supercélula, o “monstro” no céu de MG?
Diferente de uma tempestade comum, a supercélula é um
sistema isolado, altamente organizado e de longa duração. Segundo a Climatempo
e a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), essas nuvens podem percorrer
longas distâncias e permanecer ativas por várias horas.
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A principal característica da supercélula é a rotação interna, formando o que
os meteorologistas chamam de mesociclones. No Brasil, o fenômeno é mais comum
nas regiões Sul e Sudeste, surgindo em áreas de baixa pressão e se propagando
ao longo de frentes frias.
Diferente de tempestades comuns, a supercélula possui um “mesociclone”, uma
corrente de ar em rotação dentro da nuvem que a torna muito mais estável e
perigosa .
Estas tempestades são isoladas e organizadas, podendo durar várias horas e
percorrer longas distâncias sem perder força.
Além de chuvas torrenciais e granizo, elas são as principais geradoras de
tornados, embora a força dos ventos e a água, por si só, já sejam capazes de
causar danos catastróficos.
Cenário de guerra em Juiz de Fora
Após a passagem da supercélula, o cenário na manhã desta
terça-feira era de desolação. O transbordamento do Rio Paraibuna e de diversos
córregos deixou bairros inteiros ilhados e ruas cobertas pela água.
Os principais registros de danos incluem:
Desabamentos: dois prédios vieram abaixo com a força das
águas.
Deslizamentos: diversas encostas cederam em diferentes regiões da cidade.
Desabrigados: a Defesa Civil municipal estima que 440 pessoas tenham perdido
suas casas ou precisado deixar seus lares.
Em apenas uma rua da cidade, cerca de 20 pessoas estão desaparecidas após um
deslizamento causado pelas fortes chuvas. O estado segue sob alerta da Defesa
Civil.
Resposta à crise e calamidade
A prefeitura decretou estado de calamidade pública.
Diante da gravidade da situação, o governo federal mobilizou equipes da Força
Nacional do SUS e da Defesa Civil Nacional para reforçar as operações de
socorro e prestar assistência às vítimas.
“Foi um volume de água sem precedentes, que superou
qualquer previsão histórica para o período”, informou a gestão municipal.
Por Alana Aretha