quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

CULTURA POPULAR: QUEBRA-PEDRA É A PRIMEIRA PLANTA MEDICINAL BRASILEIRA TRANSFORMADA EM FITOTERÁPICO INDUSTRIALIZADO PARA DISTRIBUIÇÃO GRATUITA PELO SUS

Foto: Quebra-pedra

04 de fevereiro de 2026 - 3 minutos para saber

O quebra-pedra (Phyllanthus niruri) deve se tornar, em cerca de seis meses, a primeira planta medicinal transformada em um fitoterápico industrializado para distribuição gratuita pelo SUS. O medicamento está sendo desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com a Fiocruz e o PNUD, respeitando a legislação de acesso ao conhecimento tradicional, e ainda passará pela aprovação da Anvisa.

Usada há séculos por povos indígenas e comunidades tradicionais no tratamento de problemas urinários, a planta representa um marco ao unir saber popular, validação científica e saúde pública. De fácil cultivo, a quebra-pedra é uma planta pequena, que cresce em quintais, vasos e até em rachaduras de calçadas, conhecida por auxiliar na eliminação de cálculos renais.

Estudos científicos reforçam sua eficácia. Uma pesquisa publicada no International Brazilian Journal of Urology acompanhou 56 pacientes por 12 semanas e apontou eliminação segura das pedras nos rins, sem efeitos colaterais. Revisões da Unifesp indicam que a planta atua em diferentes fases da formação dos cálculos, reduzindo sua agregação e prevenindo novas ocorrências. Além disso, apresenta ação diurética, hepatoprotetora e redução de substâncias como oxalato e ácido úrico na urina.

A planta também pode ser cultivada em casa, preferencialmente em locais de meia-sombra, com solo úmido e bem drenado, completando seu ciclo em poucos meses. O consumo tradicional ocorre por meio de chá, feito com a planta inteira, mas deve respeitar limites: o uso contínuo não deve ultrapassar 21 dias, pois o excesso pode ser tóxico. O uso é contraindicado para gestantes, lactantes e crianças, e não substitui tratamento médico em casos graves.

Com a validação científica e a futura distribuição pelo SUS, a quebra-pedra passa de remédio tradicional a medicamento oficial, ampliando o acesso da população a uma alternativa terapêutica comprovada para a saúde renal.