quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

CONHEÇA A FAZENDA QUE É O BERÇO DO CAVALO MANGALARGA MARCHADOR NO SUL DE MINAS

 Se você está percorrendo o Caminho Velho da Estrada Real, perto de Cruzília, e de repente se depara com uma construção que parece grande demais para ser uma simples casa de campo, você encontrou a lendária Fazenda Traituba. Ela não é apenas um ponto de parada; é o "Vaticano" dos criadores de cavalos no Brasil.

12 de fevereiro de 2026 - 4 min para saber

A Traituba é o marco zero de uma invenção biológica mineira: o cavalo Mangalarga Marchador. Foi nessas terras, no século XIX, que a poderosa família Junqueira (liderada pelo Barão de Alfenas) decidiu que precisava de um meio de transporte que aguentasse as pirambeiras de Minas Gerais sem quebrar as costas do cavaleiro. Eles cruzaram raças europeias com animais rústicos locais e criaram uma "cadeira de balanço" de quatro patas: um cavalo que não trota (o que faz o cavaleiro pular), mas marcha.
Mas a fama da fazenda vai além das baias. A casa-sede, imponente e austera, guarda uma relíquia que faz qualquer fã de história tremer: o "Quarto do Imperador". A tradição oral (e o orgulho da família) conta que Dom Pedro I, amigo próximo do Barão, se hospedou ali durante suas viagens políticas por Minas Gerais antes e depois da Independência.
O quarto permanece preservado como um santuário do século XIX. A cama, dizem, é a mesma onde o monarca descansou. Entrar na Traituba é sentir o cheiro da madeira antiga e ouvir o estalo do assoalho que já suportou o peso das decisões mais importantes do Império.
A arquitetura é um espetáculo à parte: paredes grossas de taipa de pilão, janelas que vigiam a serra e uma cozinha que, sozinha, é maior que muitos apartamentos modernos. É o retrato da época em que o "ouro" de Minas deixou de ser metal e virou café e gado.
Você prefereria cavalgar no berço do Mangalarga ou tirar um cochilo na cama de Dom Pedro?