Ilustração/Reprodução
24 de fevereiro de 2026 - 4 minutos para saber
Depois de influenciar fortemente a inflação em 2025, a tarifa de energia elétrica deve voltar a subir em 2026 com reajustes acima do índice oficial de preços. Projeções de consultorias e instituições financeiras indicam aumentos entre 5,1% e 7,95% ao longo do ano.
Entre os principais fatores estão o nível ainda reduzido dos reservatórios das hidrelétricas, a maior necessidade de acionamento de usinas termelétricas — que têm custo mais elevado — e o crescimento dos subsídios embutidos na conta paga pelos consumidores. Reportagem do jornal O Globo destacou que a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) continuará exercendo forte pressão sobre as tarifas. Para 2026, estão previstos R$ 47,8 bilhões em subsídios, valor 17,7% superior ao deste ano.
Esses recursos financiam descontos destinados a famílias de baixa renda, produtores rurais e unidades consumidoras que utilizam energia exclusivamente para irrigação ou aquicultura. O aumento desses encargos é repassado às tarifas finais.
A consultoria PSR estima que a conta residencial possa subir até 7,95%, cerca de quatro pontos percentuais acima da inflação projetada. O cálculo inclui reajustes das distribuidoras, tributos, encargos setoriais e possíveis cobranças adicionais das bandeiras tarifárias, aplicadas quando o sistema depende de fontes mais caras, especialmente em períodos de chuvas abaixo da média.
Já o economista-chefe do Banco BMG, Flávio Serrano, trabalha com um cenário mais moderado, prevendo alta de 5,1%, o que ainda representa 1,15 ponto percentual acima da inflação esperada para 2026.
O histórico reforça a tendência de aumentos acima da inflação. Dados da Abraceel mostram que, nos últimos 15 anos, a tarifa residencial acumulou alta de 177%, enquanto a inflação avançou 122% no mesmo período — impacto que também atinge indústria, agronegócio e setor de serviços.
Em 2025, a energia elétrica residencial subiu 12,31%, sendo o item com maior peso individual no IPCA, que encerrou o ano em 4,26%. O reajuste só não foi maior por causa de um abatimento de R$ 2,2 bilhões concedido pelo governo, financiado com recursos do bônus da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o custo do megawatt-hora atingiu R$ 786,76, o maior patamar desde 2011.
O cenário é considerado paradoxal. Apesar da capacidade de geração superar a demanda atual, o sistema enfrenta desafios operacionais. Para evitar sobrecargas e riscos de apagões, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tem priorizado a interrupção de usinas eólicas e solares, o que gera perdas financeiras ao setor. Em 2025, aproximadamente 20% da energia renovável disponível foi descartada, acumulando prejuízo estimado em R$ 6,5 bilhões, segundo a consultoria Volt Robotics.
Diante desse quadro, especialistas alertam que os consumidores devem se preparar para novas pressões na conta de luz em 2026, enquanto o setor elétrico busca equilibrar subsídios, custos de geração e a estabilidade do sistema nacional.