12 de agosto de 2026 - 3 minuto para saber
A Suíça se tornou uma das grandes forças do mercado mundial de café sem produzir praticamente nenhum grão. O país adotou um modelo baseado na importação de café de grandes produtores, como Brasil, Colômbia e Etiópia, seguido de processamento, industrialização e reexportação.
O diferencial está em agregar valor ao produto. Um quilo de café comprado por cerca de US$ 5 pode alcançar mais de US$ 27 após passar por etapas de torrefação, beneficiamento, industrialização, embalagem e comercialização.
Um dos principais responsáveis por essa transformação é a Nespresso, que ajudou a popularizar o café em cápsulas e levou o produto para o segmento premium. A combinação de tecnologia, processamento sofisticado, marca e marketing permitiu aumentar significativamente o valor do café.
O modelo suíço demonstra que a maior parte do valor de uma cadeia produtiva nem sempre está na produção da matéria-prima. Enquanto países tropicais, como o Brasil, concentram-se no cultivo, a Suíça especializou-se nas etapas posteriores: processamento, tecnologia, distribuição e criação de marcas.
Assim, mesmo sem condições climáticas para cultivar café em larga escala, o país transformou o produto importado em uma importante fonte de riqueza e consolidou sua posição na indústria mundial, ao lado de setores tradicionais como chocolate e queijo.
A principal lição é clara: produzir é importante, mas dominar tecnologia, industrialização, marcas e comercialização pode ser ainda mais lucrativo.