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12/12/2025 | 5 min
para saber
Ao contrário do senso comum, que associa o pico da
performance cognitiva à juventude, um estudo recente sugere que o cérebro
humano atinge sua melhor performance global entre os 55 e 60 anos. A pesquisa,
publicada na revista Intelligence e repercutida pelo Daily Mail, reuniu dados de mais de 67 mil pessoas com
idades entre 12 e 69 anos, medindo 16 traços relacionados à personalidade,
cognição e bem-estar emocional.
Os cientistas combinaram essas medidas para formar um
índice de funcionamento mental geral. O resultado apontou que, embora a
velocidade de processamento e a memória declinem com a idade, outras
capacidades como autoconhecimento, estabilidade emocional e consciência
continuam a se desenvolver até a terceira idade.
Um equilíbrio entre perdas e ganhos
A análise revelou que o pico da capacidade mental não
ocorre em um único ponto da vida, mas sim a partir da interação de diferentes
fatores que amadurecem em ritmos variados. Traços de personalidade como
estabilidade emocional e consciência apresentaram melhorias contínuas até os 60
anos. Já as habilidades cognitivas brutas, como memória e raciocínio rápido,
tendem a decair após os 30 anos.
Essa combinação cria uma curva em forma de sino no
desempenho mental: após um crescimento constante, o auge ocorre entre os 55 e
60 anos, seguido por um declínio mais acentuado depois dos 65. O estudo sugere
que, mesmo com perdas em áreas específicas, o cérebro compensa com ganhos em
outras dimensões.
O valor da experiência e da maturidade
Esses dados reforçam a importância da maturidade para
funções que exigem julgamento refinado, controle emocional e tomada de decisões
complexas, características essenciais em posições de liderança e
responsabilidade. Em vez de focar apenas na velocidade de resposta ou agilidade
cognitiva, o estudo aponta para o valor das competências desenvolvidas com a
idade.
Para David Weiss, um dos coautores da pesquisa, a noção
de envelhecimento como processo puramente degenerativo precisa ser revista. Em
declarações ao Daily Mail, ele afirma que “alguns aspectos do
funcionamento psicológico atingem seu ponto mais alto mais tarde na vida do que
se acreditava anteriormente”.
O estudo também chama atenção para o impacto de fatores
biológicos no declínio cognitivo após os 60 anos. De acordo com os
pesquisadores, esse declínio pode estar associado a mudanças metabólicas,
inflamatórias e vasculares no cérebro, aspectos que merecem atenção em futuras
políticas de saúde preventiva.
Com que idade cada traço cognitivo atinge o pico:
Raciocínio: 18 anos
- Amplitude
de memória: 18 anos
- Velocidade
de processamento de informações: 18 anos
- Flexibilidade
cognitiva: 18 anos
- Extroversão:
18 anos
- Empatia
cognitiva: 25 anos
- Abertura
a novas experiências: 35 anos
- Inteligência
emocional: 40 anos
- Gentileza:
50 anos
- Conhecimento:
65 anos
- Conscienciosidade:
65 anos
- Educação
financeira: 65 anos
- Estabilidade
emocional: 75 anos
- Raciocínio
moral: 75 anos
- Resistência
ao viés do custo irrecuperável (capacidade de abandonar uma estratégia ou
curso de ação quando é benéfico, mesmo depois de investir pesado nele): 80
anos
Fonte: Época Negócios