segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

PROCURADORES AMEAÇAM ENTREGAR CARGOS NESTA SEGUNDA E RAQUEL DODGE QUER DIÁLOGO


Ela afirma que há risco de prejuízo à imagem do MPF; movimento seria para pressionar por gratificações que compensem o fim do auxílio-moradia

Na mensagem, Dodge aponta para o risco de que a imagem do MPF seja prejudicada "pelo extravasamento de pauta reivindicatória corporativa de difícil compreensão por formadores de opinião e pela sociedade".  Dodge afirmou ainda que, uma vez procurada por jornalistas, poderia, em nome da "transparência pública e do direito constitucional à informação", fornecer "as informações que vierem a ser solicitadas" por jornalistas.
Alguns procuradores interpretaram esse trecho como uma ameaça para que amanhã ninguém abandone os cargos.
                                   Eis a mensagem de Dodge:
"Colegas,
Alcanço-lhes neste dia de descanso para fazer um novo chamamento ao diálogo, para compartilhar minha preocupação com a credibilidade da instituição e para convidá-los a uma reflexão sobre o dia de amanhã, data para a qual nossa Associação Nacional de Procuradores da República marcou a entrega de funções “como ato concreto de protesto e posicionamento”.
Registro que a Procuradoria-Geral da República já tomou conhecimento do protesto e do posicionamento da entidade.
Apresento minha compreensão acerca do ato de entrega de funções, mesmo dele discordando.
Espero que também me compreendam, mesmo aqueles que comigo não concordem.
Diálogo e pluralismo de ideias são essenciais e sempre os repeito. São os traços que identificam o Ministério Público em todos os momentos. Também agora.
Respeitosamente, entendo que o propósito de “defesa da integridade do Ministério Público Federal e de seus componentes” dispensa a exposição gratuita da instituição à opinião pública, consequência natural de eventual entrega de funções por membros do Ministério Público, em razão da pauta de reivindicações apresentada.
O Ministério Público é formado por pessoas íntegras, que se pautam pelos mesmos valores que exigem das demais pessoas nas ações em que buscam responsabilizá-las. Procuradores da República são magistrados que agem em nome da sociedade e, por isso, devem zelar permanentemente por sua credibilidade junto a ela.
Devo zelar para que a exposição pública já desencadeada pelo extravasamento de pauta reivindicatória corporativa – reitero – de difícil compreensão por formadores de opinião e pela sociedade, não seja compreendida como ato contrário à lei, nem desproporcional ao justo, e muito menos indiferente à fase da vida nacional marcada por grandes tragédias evitáveis, por elevado deficit público e por milhões de desempregados e excluídos. Renovo meu convite à retomada do diálogo, para o qual sempre estou disponível.
Estarei atenta para que o movimento da classe – que está levando os jornalistas a pedirem esclarecimentos à PGR sobre regulamentações em curso no Conselho Superior – não leve ao descrédito de qualquer membro, nem da instituição.
A transparência pública e o direito constitucional à informação exigem que a administração disponibilize as informações que vierem a ser solicitadas, inclusive sobre eventuais impedimentos legais, bem como sobre as consequências para o modo de prestação de serviço pelo MPF.
Todos queremos o melhor para o Ministério Público. Na unidade do MP, podemos com serenidade encontrar caminhos - dentro da instituição - que atendam à pauta de valorização da carreira respeitando as limitações legais, de modo a manter elevados a credibilidade e o prestígio do MP junto à sociedade brasileira.
Cordial abraço,
Raquel Dodge"
Com: Época