13 de novembro de 2025 - 4 minutos para saber
O governo Lula conseguiu mais uma: colocou a tilápia na
lista de espécies invasoras gerando caos entre os produtores de peixe em todo o
país. Enquanto isso, primeiro contêiner de tilápia importada pela JBS do Vietnã
foi enviado ao Brasil em 6 de novembro; produtores alertam para impacto
sanitário e econômico A piscicultura brasileira — um dos pilares da aquicultura
nacional — vive dias de indignação e incerteza. O governo federal incluiu a
tilápia na Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras e, paralelamente,
autorizou a importação do peixe vindo do Vietnã, numa decisão que acendeu o
alerta entre criadores, entidades do setor e especialistas em sanidade animal.
Mesmo sendo o peixe mais consumido do Brasil e gerando
milhões de empregos, a tilapicultura brasileira enfrenta concorrência desleal
com a entrada de 700 toneladas de peixe vietnamita trazidas pela JBS.
Apesar de o Ministério do Meio Ambiente afirmar que a
classificação da tilápia como exótica invasora tem apenas caráter técnico e
preventivo, o setor teme que a medida abra espaço para restrições futuras,
aumento da burocracia e até interpretações equivocadas por órgãos estaduais e
municipais, que poderiam travar licenciamentos e comprometer novos
investimentos.
Tilápia brasileira: motor da piscicultura no Brasil O Brasil
é o quarto maior produtor mundial de tilápia, ficando atrás apenas de China,
Indonésia e Egito. Com 662,2 mil toneladas produzidas em 2024 — um aumento de
14,3% em relação a 2023 —, o peixe representa 68% da produção nacional de
peixes cultivados, segundo o Anuário PeixeBR 2025.
Essa produção sustenta cerca de 3 milhões de empregos
diretos e indiretos, abastece o mercado interno e movimenta exportações que
somaram US$ 59 milhões no último ano.
Além do peso econômico, a tilápia é o peixe mais consumido
no Brasil, com um crescimento médio anual de 10,3%, impulsionado por novos
hábitos alimentares e pela adoção de modelos sustentáveis de produção. O peixe
é fonte de proteína de alta qualidade, baixo teor de gordura e é considerado
ideal para dietas equilibradas. JBS importa tilápia do Vietnã e acirra crise no
setor A tensão no setor aumentou ainda mais com o anúncio da JBS, gigante
global de proteína animal, que começou a importar tilápia processada do Vietnã.
O primeiro contêiner de 24 toneladas saiu do porto de Ho Chi Minh em 6 de
novembro e deve chegar ao Porto de Santos em 17 de dezembro. Esse embarque faz
parte de um lote maior: 32 contêineres totalizando 700 toneladas de tilápia
vietnamita que abastecerão redes varejistas, o setor HORECA e o showroom da JBS
no Brasil.
Segundo o governo, a medida é resultado de um acordo
bilateral firmado durante a Cúpula Ampliada do BRICS, em julho de 2025. Pelo
pacto, o Brasil abriu seu mercado à tilápia, peixe-galo e peixe-basa
vietnamitas, enquanto o Vietnã passou a aceitar a carne bovina brasileira.
No entanto, produtores e entidades como a PeixeBR enxergam a
decisão como “imprudente”, alegando que a importação compromete a
competitividade do setor nacional, agrava os desafios econômicos da cadeia
produtiva e ainda coloca em risco a biossegurança dos tanques brasileiros, já
que as condições de cultivo no Vietnã são diferentes e podem carregar doenças
não existentes no Brasil.
Risco de colapso e dependência externa A reação dos
produtores é de profunda frustração. “Enquanto o Vietnã expande seus mercados,
o Brasil parece remar contra a corrente das próprias políticas de incentivo à
piscicultura”, criticou um representante da PeixeBR. A entidade também alerta
que o baixo custo de produção da tilápia asiática — favorecida por subsídios e
legislação ambiental mais branda — cria uma concorrência desleal com os
piscicultores brasileiros, que operam sob regras rigorosas e custos mais elevados.
Conclusão: entre o discurso sustentável e a prática
econômica O cenário expõe uma contradição estratégica: enquanto o Brasil
defende a sustentabilidade e o fortalecimento da produção nacional, abre espaço
para uma concorrência externa que ameaça uma cadeia consolidada e em
crescimento. O setor aquícola pede coerência e apoio. Para os piscicultores, o
momento é de alerta máximo: ou o Brasil protege sua cadeia produtiva de peixes
— hoje referência em sustentabilidade e qualidade — ou arrisca ver ruir um dos
setores mais promissores do agronegócio nacional.
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