Marcello
Casal Jr/Agência Brasil
26/01/2026 | 11 min de leitura
O Código de Ética elaborado pela OAB-SP, produzido por uma comissão de juristas e enviado na sexta-feira (23) ao STF (Supremo Tribunal Federal), propõe que ministros da Corte sejam proibidos de fazer manifestações de caráter político-partidário.
“Os ministros não devem se manifestar sobre questões político-partidárias e,
quando se manifestarem academicamente sobre questões afetadas ao Tribunal,
devem fazê-lo de forma objetiva e com os cuidados necessários para preservação
de sua imparcialidade”, diz o documento.
O texto também orienta que “ministros devem manter absoluta
reserva sobre matéria que é ou que possa vir a ser submetida a julgamento,
deixando de emitir opiniões a respeito”.
Outra recomendação da OAB-SP é que haja punição ao ministro que deixe de
reconhecer suspeição ou impedimento em casos concretos. “Constitui infração
ética deixar o ministro de reconhecer seu impedimento”, afirma o parágrafo
segundo.
Entre as vedações expressas no documento, estão:
- I –
participar de julgamento de processo no qual tenha relação de parentesco
até terceiro grau, ou amizade íntima, com qualquer das partes, seus
procuradores ou advogados, inclusive profissionais de escritórios
envolvidos na causa;
- II –
participar de julgamento cujo resultado possa afetar interesse próprio, de
parente até terceiro grau ou de amigo íntimo;
- III
– participar de julgamento de processo que tenha patrocinado antes de
ingressar no Tribunal.
- O
código também prevê que amigos e parentes de ministros informem a Corte
sobre possíveis conflitos de interesse. “Com vistas a prevenir conflito de
interesse, o ministro deve solicitar aos advogados amigos íntimos ou
parentes até terceiro grau que informem acerca dos processos nos quais são
procuradores ou nos quais atuem outros advogados de seus escritórios.
Essas informações devem ser encaminhadas à Secretaria do Tribunal, para
fins de impedimento de distribuição”, diz o texto.
O documento ainda estabelece que, quando regras de conflito
de interesse forem invocadas de forma maliciosa para afastar um ministro, o
relator deverá levar o tema à deliberação em questão de ordem, podendo haver
exceção às regras mediante aprovação de dois terços do plenário.
- A
OAB-SP sugere também que ministros, mesmo no exercício permitido da atividade
docente, não ocupem cargos de coordenação, administração, direção ou
controle societário de entidades de ensino.
- Além
disso, propõe que ministros aposentados ou exonerados aguardem três anos
antes de atuar na advocacia.
O Código de Ética também reforça medidas de
transparência e publicidade das agendas dos ministros.
Segundo o documento, “ao receber a parte ou seu procurador,
com ou sem procuração nos autos, para a apresentação de memorial ou outro ato
processual, o ministro deve tornar pública a audiência concedida, além de
certificar nos autos os nomes das pessoas que dela participaram e garantir,
caso solicitado, o mesmo direito à parte contrária”.
A proposta estabelece ainda que os ministros mantenham suas
agendas atualizadas no site do Tribunal.
Com informações de CNN BRASIL



