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| Criatório de tilápias no lago de Furnas - Reprodução |
10 de abril de 2026 - 3 minutos para saber
Um fato incomum no comércio exterior chamou a atenção do setor agropecuário em Minas Gerais. Em fevereiro de 2026, o estado registrou a entrada de 122 toneladas de filé de tilápia importadas do Vietnã — a primeira ocorrência desse tipo desde o início da série histórica, em 1997.
O dado causa estranhamento porque Minas vive um momento de forte produção aquícola. O estado ocupa a terceira posição no ranking nacional e tem em Morada Nova de Minas o principal polo produtor da espécie no país.
Segundo especialistas, a chegada do produto asiático não está ligada à falta de oferta local, mas sim ao preço mais baixo praticado no mercado internacional. De acordo com análise do Sistema Faemg Senar, o custo reduzido no Vietnã, aliado à produção em larga escala, torna o filé importado mais competitivo, pressionando os produtores mineiros.
Além da questão econômica, o setor também demonstra preocupação com possíveis riscos sanitários. Um dos principais temores é a entrada do Vírus da Tilápia do Lago (TiLV), doença ainda inexistente no Brasil, mas já registrada no país asiático. A Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais alerta que a introdução do vírus poderia causar prejuízos significativos à produção e afetar a confiança do mercado.
Produtores também apontam desigualdade nas regras tributárias como fator agravante. Enquanto a produção local arca com custos elevados e incidência de impostos como o ICMS, o pescado importado chega com benefícios fiscais, o que reduz seu preço final. Para representantes do setor, essa diferença compromete a competitividade interna e pode impactar diretamente a geração de empregos no estado.