Hoje, com a Internet, a digitalização, a inteligência artificial, tem-se muita tecnologia para uma ampla escassez do exercício do jornalismo
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08/04/26 – 3 minutos para saber
É curioso, o dia do jornalista. Foi instituído em
homenagem a Líbero Badaró, médico e jornalista de origem italiana. Em 1829,
fundou o jornal Observador Constitucional, tornando-se um crítico feroz de Dom
Pedro I e defensor dos ideais liberais.
Por sua militância foi alvo de um atentado em 20 de
novembro de 1830, falecendo dois dias depois. Segundo os “Homens e Mulheres
Célebres” do Tesouro da Juventude, suas últimas palavras foram “Morre um
liberal, mas não morre a liberdade”.
O desgaste de Dom Pedro I com o assassinato de Badaró
foi um dos principais motivos da insatisfação popular que levou à Abdicação, em
7 de abril de 1831 – que tornou-se o Dia do Jornalista, em homenagem a Líbero
Badaró.
É curiosa essa travessia da imprensa, e do jornalismo.
Nos tempos de Badaró, o jornalismo era um trabalho braçal, lento e caríssimo.
Não existiam agências de notícias ou telefone. As notícias vinham de cartas de
correspondentes, editais oficiais do governo, ou clipping manual – traduzir e
copiar notícias de jornais estrangeiros, que chegavam com meses de atraso.
Não existiam máquinas de escrever nem linotipos. Cada
letra, vírgula ou espaço era uma pequena peça de metal. O trabalhador pegava
letra por letra de uma caixa de madeira e as organizava em um suporte chamado
componedor.
Os jornais eram pequenos, geralmente de 4 páginas. Com
um índice altíssimo de analfabetismo, jornais eram feitos para uma elite
política, entregues por escravizados ou vendidos em boticas e livrarias. Era
comum, também, que uma pessoa lesse o jornal em voz alta em praças ou cafés
para quem não sabia ler.
Hoje, com a Internet, a digitalização, a inteligência
artificial, tem-se muita tecnologia para uma ampla escassez do exercício do
jornalismo. Jornais disputam likes, com notas curtas, incapazes de produzir
matérias contextualizadas, menos ainda de fazer germinar um projeto de país, um
resquício de nacionalidade.
Não há ambição de construir o futuro, de iluminar os
caminhos, de ser um oráculo da ciência e dos direitos. Não há o gosto do
contraponto, a ambição de mudar uma narrativa hegemônica com o poder dos
argumentos.
Não há sequer o discernimento de saber quem é
democracia, quem é autoritarismo, ou de perceber que a mídia só tem poder onde
a democracia está forte.
No dia do jornalista, saúdo as referência de meu tempo
de foca, ou meus companheiros de jornada, Alberto Dines, Jânio de Freitas,
Aloysio Biondi, Mino Carta, Ruy Mesquita, Cláudio Abramo, a turma do Opinião,
do Pasquim, e tantos outros que, à esquerda ou à direita, souberam honrar os
princípios do bom jornalismo.
Por Luis
Nassif