Petrobras
Edifício sede da Petrobras no Centro do Rio de Janeiro. (Fernando Frazão/Agência Brasil)
Um contrato de US$ 1,8 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões) firmado pela Petrobras em 2025 passou a integrar uma investigação internacional conduzida pelo governo do Peru sobre suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro no caso conhecido como “Rutas de Lima”.
No entanto, o acordo foi citado em um pedido apresentado à Justiça dos Estados Unidos para acesso a dados bancários ligados ao esquema, que envolve concessões rodoviárias no país andino.

Movimentações suspeitas sob análise

Segundo documentos apresentados pelas autoridades peruanas, investigadores identificaram movimentações consideradas suspeitas de cerca de US$ 700 mil envolvendo o empresário brasileiro Ricardo Pereira Neto, sua suposta entidade de fachada e o ex-executivo da Odebrecht no Peru, Jorge Barata.

De acordo com o material, essas transferências ocorreram aproximadamente um mês antes da assinatura do contrato bilionário com a Petrobras, em outubro de 2025.

O documento aponta uma “rápida rotatividade” dos valores e cita um pagamento direto a Barata no período analisado.

Ligação com empreiteiras brasileiras

O contrato da Petrobras foi firmado com um consórcio formado pela Tenenge, braço de engenharia da Novonor (antiga Odebrecht), e pela EGTC Infra, controlada por Pereira Neto

As autoridades peruanas investigam se houve pagamento de propina, financiamento ilegal de campanhas e operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso Rutas de Lima.

Pedido à Justiça dos EUA

O governo do Peru busca autorização da Justiça americana para acessar dados financeiros que possam comprovar a existência de irregularidades.

Contudo, caso a autoridade aceite o pedido, os investigadores utilizarão as informações em processos criminais em andamento no país.

Segundo os investigadores, os dados levantados até o momento podem indicar a “continuidade” de práticas investigadas no escândalo, mesmo após a exposição pública de esquemas de corrupção ligados a empreiteiras brasileiras.

Posicionamento da empresa

Além disso, em nota, a antiga Odebrecht, hoje Novonor, negou qualquer irregularidade nos contratos recentes com a Petrobras.

A empresa afirmou que os executivos citados não participaram de contratos com a estatal. E também, que não existe relação entre o caso Rutas de Lima, cujo controle a empresa teria vendido em 2016, e os acordos firmados em 2025.

A companhia também declarou que pode adotar medidas legais caso processos em andamento no exterior confirmem as informações.

Impacto e repercussão

Por fim, o caso ocorre em um momento em que a Petrobras busca reforçar sua governança e imagem institucional após os desdobramentos da Operação Lava Jato.

No entanto, a inclusão do contrato na investigação internacional pode ampliar o escrutínio sobre acordos recentes da estatal e gerar novos questionamentos sobre riscos reputacionais e critérios de contratação.

Marina Finelli

Marina Finelli/BPMoney