A China que tentou navegar entre as águas da neutralidade descobre agora que numa guerra global não há espaço para ficar em cima do muro. Pequim terá que decidir entre seus fornecedores de energia e seus maiores mercados consumidores.
Uma escolha difícil — e cara — para qualquer economia. 

ORMUZ SOB BLOQUEIO TOTAL — A CHINA FICARÁ FORA DO JOGO E O MUNDO PAGARÁ A CONTA
Trump foi direto na Truth Social neste domingo: "Com efeito imediato, a Marinha dos EUA iniciará o processo de BLOQUEIO de todos os navios que tentarem entrar ou sair do Estreito de Ormuz. Ninguém que pagar um pedágio ilegal ao Irã terá passagem segura em alto-mar."
Não é retórica. É decisão operacional com consequências globais. E a mais devastadora atinge justamente quem tentou se manter neutro: a China.
A estratégia chinesa até aqui era clara — Pequim mantinha neutralidade oficial, condenava a escalada e lucrava comprando petróleo iraniano com desconto enquanto o barril disparava. Petroleiros como o VLCC Cospearl Lake e o He Rong Hai conseguiram sair do Golfo no sábado — horas antes do anúncio — carregados de petróleo saudita e iraquiano. A partir de agora a situação muda completamente. Qualquer embarcação que tentar transitar pelo estreito — independentemente de bandeira — será interceptada.
O timing é cirúrgico. Horas antes do bloqueio — Trump alertou que a China teria "grandes problemas" caso fornecesse armas ao Irã. A inteligência americana confirmou que Pequim preparava envio de MANPADs via países terceiros. A resposta americana foi dupla: bloqueio naval e ameaça tarifária de 50% sobre qualquer país que fornecer armas ao Irã. A China — maior exportadora mundial para o mercado americano — tem muito a perder nos dois fronts simultaneamente.
O dilema chinês agora é agudo. Pequim depende do petróleo do Golfo para abastecer sua economia — mas depende do mercado americano para escoar sua produção industrial. Se Trump cumprir bloqueio e tarifas — a China terá que escolher entre ficar sem petróleo ou pagar preço exorbitante em outros mercados. A Rússia — que já lucra com o barril elevado — dificilmente oferecerá descontos generosos a Pequim numa hora dessas.
No teatro operacional — os destroyers USS Frank E. Peterson e USS Michael Murphy cruzaram Ormuz no sábado sem coordenação com o Irã — primeiros navios de guerra americanos a fazê-lo desde o início da guerra. O IRGC emitiu ultimato de 30 minutos por rádio — gravado por navio civil. Os destroyers ignoraram e continuaram. Drones submarinos americanos chegam nos próximos dias. O Almirante Brad Cooper foi direto: "Hoje iniciamos o processo de estabelecer uma nova passagem."
O que antes era bloqueio iraniano de fato — instável e permeável a pedágios — transformou-se em controle americano de direito. Os EUA não estão apenas desminando o estreito. Estão tomando posse dele.
Trump alfinetiou aliados que não participam: "Inacreditavelmente, eles não têm a coragem ou a vontade de fazer esse trabalho sozinhos."
POR JOSUÉ JORGE